Sem Paragem
Debaixo de terra caminham inúmeros corpos, milhões de toupeiras urbanas deslocando-se diariamente do ponto A ao ponto B, habituadas ao silêncio barulhento dos carris, aos anúncios de atrasos e às placas suspensas em contagem decrescente: “mais 5 minutos”, “já aí vem”. Que a luta comece.
Estará demasiado cheio? Haverá espaço para me sentar? Durante alguns instantes, pequenas dúvidas transformam-se em preocupações reais. Por vezes, um simples momento para respirar parece um luxo incompreendido.
Máquinas de metal, gastas pelo uso constante, transportam sonhos, cansaços e desesperos. Raramente se encontram sorrisos, apenas rostos pálidos iluminados pelo reflexo dos ecrãs. No metro, a solidão tornou-se um mecanismo de sobrevivência, uma fuga silenciosa ao desconforto coletivo.